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Marcinha 66


Há um puta tempo atrás. Uma boca decrépita, daquelas que exalam um cheiro de fígado podre abastecido com o que há de pior na adega me engolia. Eu tentava me desvencilhar oferecendo o que restava do seu corpo por vinte paus na feira livre da praça Roosevelt. O sol batia forte na minha cabeça e meu coração tava gelado depois de uma noite mexicana num boteco suspeito da Treze de Maio, meia partida de bilhar, velhos vampiros dos maus tempos e uma música de péssima qualidade na jukebox. Duas mulheres fim de linha na faixa dos quarenta tentavam me arrastar pro banheiro, eu relutava, elas que colassem o velcro e me deixassem em paz. A mais velha me chamava de gostoso e garoto pom pom, me dava náusea aquela pedofilia toda. Eu queria voltar pro útero materno e ser abortado a tempo. Essas coisas acontecem na pior hora da rebordosa, hora em que viadutos são simpáticos e assustadores ao mesmo tempo, hora em que qualquer sujeito com o mínimo de sensibilidade e estilo desejaria não estar em lugar algum.

Cedi , derrapei na curva do rio e cai na boca decrépita. RG de garantia e uma manhã infernal no Jacaré. A pior das sensações musicais do momento invadindo aquele quarto escroto habitado por baratas subnutridas, domingão do faustão e aquela loura morta sugando meu escroto sem a reação que ela desejava da minha parte. Eu não podia fazer nada, seu raio x não me agradava, o pior da Penha tava estampado diante de meus olhos.



Escrito por Ricardo Carlaccio às 14h46
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