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  PREFIRO MEU BOURBON SEM GELO

Às vezes eu fico de saco cheio quando me comparam com Bukowski. O cara é do caralho, mas a comparação excessiva me aporrinha. Principalmente quando ela é feita a partir de uma leitura superficial. Basta neguinho ver um ou outro palavrão, uma putinha desfilando na estória, uma foda ou outra recheando um conto que já vai me dizer que tudo aquilo é parecido com Bukowski. Eu sou o CARLACCIO e tenho culhões próprios. Me garanto no meu estilo pedreiro e ponto. Já não acreditava em acrobacias estéticas antes mesmo de ler o Velho Safado. Nunca acreditei porque não raciocino como acrobata e detesto discurso punheteiro. O suor é do meu cacete. Acredito nas trepadas com a vida. Eu escrevo, edito e vendo meus livros e me acho do caralho por isso. Não esporro com o pau de nenhum escritor. É claro que existem referências. Plínio Marcos é uma delas, mais recentemente li João Ântonio e Pedro Juan Gutiérrez. São caras que falam das podreiras da vida tanto quanto Bukowski. Existe Goodis, Hansun, Céline e mais uma cambada de malditos que encheriam uma página. Enfim, não existiu só um cara que fez literatura suja nesse universo literário. Existem caras geniais pra serem descobertos no porão. Grandes poetas destilando um lirismo cruel e impiedoso. É claro que as doses de humor cáustico do Buka fazem a diferença. Mas no fim são estórias tristes e realmente líricas. A saga Chinaski é o verdadeiro anti-épico ou um puta épico. Porque pra mim o verdadeiro herói é aquele que sobrevive num mar de merda e sai atirando. Livra seus culhões e caminha até o fim. Não é só a vida de um punheteiro que está em jogo. O que está em jogo é a sobrevivência, a solidão e o fracasso. Ser loser não é nem um pouco romântico e muito menos engraçado. Ser loser é estar no meio fio onde um caminhão bêbado pode passar a cem por hora e arrasar tudo. É estar a um passo da insanidade e do suicídio. Tudo isso pode até ser dito de forma cômica, mas lembrem-se que esse riso ácido é o último suspiro antes da morte.

 



Escrito por Ricardo Carlaccio às 20h15
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