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Trecho do Factótum de Charles Bukowski

 

 

Aquela cena no escritório se entranhou em mim. Aqueles charutos, as roupas finas. Pensei em belos bifes, longos passeios por passagens cheias de curvas que levavam a casas maravilhosas. Boa vida. Viagens à Europa. Mulheres de alta classe. Eles eram assim tão mais espertos do que eu? O que nos diferenciava era a grana e o desejo de acumulá-la.

            Eu também poderia fazer isso! Economizaria meus tostões. Eu teria uma grande idéia, pagaria um financiamento. Contrataria e despediria. Manteria garrafas de uísque na gaveta da minha escrivaninha. Teria uma esposa com enormes peitos e um rabo que faria o jornaleiro da esquina gozar nas calças só de vê-la balançar. Eu iria traí-la e ela saberia e ficaria quieta pra continuar morando comigo e usufruindo minha riqueza. Eu demitiria os sujeitos só  para ver a palidez de seus rostos. Demitiria mulheres que não mereciam tal destino.

 Isto era tudo de que um homem necessitava: Esperança. Era a falta de esperança que desencorajava um homem. Lembrei de meus dias em Nova Orleans, vivendo de duas barras de caramelo de cinco centavos por dia, ao longo de várias semanas, para ter tempo livre para escrever. Mas passar fome, infelizmente, não melhora a arte. Apenas a obstrui. A alma de um homem está profundamente enraizada em seu estômago. Um homem pode escrever muito melhor após comer um belo pedaço de filé acompanhado de uma dose de uísque do que depois de uma barra de caramelo de um níquel. O mito do artista faminto é um embuste. Uma vez que você percebe  que tudo é um embuste, você fica esperto e passa  a sangrar e queimar seus semelhantes. Eu ergueria um império sobre as carcaças e vidas destroçadas de homens, mulheres e crianças indefesos_ Eu os atropelaria. Eu lhes daria uma bela lição!



Escrito por Ricardo Carlaccio às 13h44
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Timothy Leary e Charles Manson na penitenciária de Folsom

 

 

_ Ei, doutor._ Uma voz arrogante e prepotente veio de outra cela, logo depois da porta externa.

Subitamente, percebi a identidade da única pessoa com quem eu poderia falar; Charles Manson.

_ Então você finalmente conseguiu. Tenho acompanhado a sua queda por anos, cara. Sabia que você terminaria aqui. Estou esperando há muito tempo pra poder falar com você. Queria te perguntar como você fez pra foder com tudo.

_ Foder?

_ Todos estavam ligados em você. Podia ter levado as pessoas pra qualquer lugar que você quisesse.

_ O que eu tinha em mente era ensinar as pessoas a evitar líderes e dirigir suas próprias vidas_disse eu, aborrecido.

_ Quando saí da prisão em 65, fiquei impressionado. Milhares de jovens só esperando pra serem programados. Era dar ácido a eles que fariam qualquer coisa.

_ Charles, alguma vez você já foi entrevistado por psicólogos ou especialistas sobre como você fez aquilo?

_  Aquilo o quê?

_ Lavagem cerebral no seu grupo.

_ Não.

_ Isso é espantoso. Você fez  o que todas as agências de inteligência do mundo sonhavam fazer. Você programou pessoas pra executarem missões de assassinato. E elas provavelmente fariam tudo de novo atualmente. Certo?

_ Certo.

_Por que você fez isso?

_Eu sou um cristão, cara. A bíblia é o meu  manual. A bíblia fornece o programa. Ela diz, bem na parte da Revelação, que as mulheres são a causa de todos os problemas do homem.



Escrito por Ricardo Carlaccio às 13h16
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Sonrisal

Às vezes preciso de muito anti-ácido pra continuar. Sempre há um imbecil na esquina doando bons conselhos e me causando enjôo. Talvez eu tenha me tornado mais tolerante a ponto de não agredir mais os malas. Hoje possivelmente eu tomaria  uma lata de cerveja com o Ronnie Von. Vejam bem, com os meus amigos seria capaz de esvaziar uma adega inteira. 

Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h41
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