Em Busca Da Explosão
Há uns seis anos atrás eu conheci um cara no Centro Cultural São Paulo. Um sujeito com pinta de psicopata que lia caras como Lautreamont e Artaud. Sua pinta de combatente do IRA fez com que eu fosse com a sua fuça e olha que isso é um troço difícil de acontecer comigo, eu posso disfarçar e tratar bem o sujeito, ser polido, mas ir realmente com a cara de alguém logo de primeira é raro. E isso não é culpa das pessoas, o fato é que eu sou fechado pra cacete e um bocado paranóico. Mas o Diego é um eterno punk gente boa, um cara que anda com os olhos fincados nas costas, pois como um bom e velho combatente tem muitos inimigos.
EM BUSCA DA EXPLOSÃO
Percorremos os terríveis bares da cidade com tamanha ressaca da vida
que mesmo sabendo da nossa impossibilidade (andar sem tensão)
optamos por prosseguir em busca do lugar onde uma bomba cairia em nossas vidas.
(Poema do meu brother Diego)
Escrito por Ricardo Carlaccio às 01h38
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Aí vai um Texto do Poeta de João Pessoa Íkkaro Maxx
SOU OUTRA SOBERANIA - SOU O DESAFIO, A
ESCOLHA & A INCONSEQUÊNCIA - Sou o
sangue explícito de jardins chorosos, sou a fome
de alquimias impossíveis & embriaguez dançante
- sou a febre da vida, a incoerência harmõnica
dos trovões & das lesmas - SOU O SEU DESEJO
EXPANDINDO CONTINENTES PERDIDOS NOS
VELHOS LARES ANGUSTIADOS... Sou você
quando beijar de vez a loucura do nascimento - o
batismo de carne - ereções de assassinos
divinos
Escrito por Ricardo Carlaccio às 20h31
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Quando os Coyotes Uivam No Porão
Ontem foi o Lançamento da Coyote 15 no Espaço dos Satyros. Eu tava lá com a minha amada e duas garrafas de vinho. Cheio de antigripais na cabeça e antes das primeiras sorvidas no tinto seco, um pouco paranóico. O Diego tava lá, um bom e velho punk que eu conheci no Centro Cultural São Paulo em 2001. O Diego é um cara até certo ponto anti- social, um chapa de verdade, transparente, com um senso de observação indiscutível. Um cara que saca a maldade e a ternura das pessoas, tem antenas aguçadas e instinto de sobrevivência. Enfim, um Survivor. Tava por lá também o Negão com a malemolência dos velhos caras do blues, mancando, rindo, sacando pérolas do coldre, um cara que sabe realmente se divertir e nunca vai morrer de enfarte.
O Cavana apareceu depois e tava puto porque não lhe serviram uma boa dose de Jack Daniels. No lugar do Bom Bourbon (Bourbon Sea), o cara do bar de onde ele vinha ofereceu tudo que ele tinha, e tudo o que ele tinha eram umas latas de Itaipava, eu não consigo imaginar o Cavana enchendo a cara de cerveja, ele é um Scania movido a óleo diesel rasgando uma estrada sinuosa em plena madrugada. Bom e velho Cavana, indispensável Cavana.
Infelizmente quando eu bebo não consigo ficar num lugar só, então perdi um bocado de leitura e minha sacada foi externa. Mas tenho certeza que foi tudo muito do caralho no porão, porque os caras que leram seus textos e fizeram seu som eu já vi em outras quebradas e são caras gênios. Ah! No final eu vi Edvaldo Santana fechando a Noite Coyote, "Tá assustado brother", o velho malandro que não arrega é Soul.
E por fim tive o prazer de rever o brodinho de João Pessoa que eu já tinha conhecido na Casa das Rosas, no lançamento de As Mulheres de Nelson da Petra ( a menina sorriso). Um brodinho realmente alucinado, dono de uma poesia visceral, escatológica, apaixonada, destrutiva, libertina. Isso é o Íkkaro, como colocou muito bem Ademir Assunção, uma mistura de Neal Cassady com Rimbaud. Eu só acrescento a ternura de Kerouac.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h18
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