Vai aí um puta poema da Sylvia Plath do livro Ariel
Hibernando
Esta é a hora fácil, nada faço.
Girei a centrífuga da parteira,
Tenho meu mel,
Seis vidros,
Seis olhos felinos na adega de vinhos,
Hibernando no escuro sem janelas
No coração da casa
Perto da geléia rançosa do último inquilino
E as garrafas de brilhos vazios-
Gim do Seu Fulano.
Eis o quarto onde nunca estive.
Eis o quarto onde nunca pude respirar.
O escuro se aglomera ali como um morcego,
Sem outra luz
Além da rocha tênue
Amarelo chinês sobre objetos apavorantes-
Boçalidade negra. Decadência.
Possessão.
São eles que me possuem.
Nem cruéis nem indiferentes,
Ignorantes apenas.
É tempo de espera para as abelhas-as abelhas
Tão lentas que mal as percebo,
Marchando como soldados
Para a lata de melado
Para compensar o mel que lhes tirei.
Tate e Lyle as fazem prosseguir,
A neve refinada.
Sobrevive graças a Tate e Lyle, não às flores.
Elas aceitam. O frio chega.
Agora elas dançam em massa,
Mente
Negra contra o branco todo.
O sorriso da neve é branco.
Se espalha em seu corpo, de uma milha de Meissen,
Para onde, em dias quentes,
Podem somente carregar seus mortos.
As abelhas são todas mulheres,
Donzelas e a longa senhora real.
Se livraram dos homens,
Os néscios, rudes, canhestros, boçais.
Inverno é coisa de mulheres-
A mulher, quieta em seu tricô,
No berço da nogueira espanhola,
Seu corpo um bulbo no frio, estúpido demais pra pensar.
Sobreviverá a colmeia, os gladíolos serão
Bem-sucedidos em sufocar seu fogo
Para começar um ano novo?
Que sabor terão, as rosas de natal?
As abelhas voam. Provam a primavera.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h02
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JAZZ PUNK NO CIDADÃO DO MUNDO

Escrito por Ricardo Carlaccio às 15h58
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Tá foda
Eu ando pelas ruas vendendo meus livros há quase uma década. E isso me obriga a me relacionar com uma porrada de gente, ainda que seja num flash. E no meio dessa porrada de gente sempre aparece um filho da puta.
Ontem logo depois do rebaixamento do Corintians eu saí pra vender meus livros. Eu sempre começo pela Paulista pra esquentar, na hora eu pensei, talvez o clima esteja quente por lá, com um bando de corintianos frustrados afins de quebrar o primeiro que ver pela frente. Que nada, tava tudo tranqüilo. Mas o assunto aqui não é bem esse. O fato é que no meio dessa história eu tava numa banca de jornais ali na Paulista, uma banca ao lado da Eugênio de Lima e o tal jornaleiro começou a falar sobre o rebaixamento do Corintians, aquela velha conversa rápida que você leva com um desconhecido depois que acontece alguma coisa notável por aí. Daí que o cara me fecha dizendo isso:
_ O goleiro do Corintians é a única coisa que se salva no time.
_Pois é. Eu disse. O cara é bom mesmo.
_É difícil um preto ser raçudo. Ele disse.
_Mano, repete o que você falou, eu acho que não escutei direito.
_É isso mesmo, preto quando não caga na entrada, caga na saída. Agora você escutou?
_ Escutei e acho que você é um velho corno e cuzão. Escroto, é isso que você é, um velho fascista e brocha.
Eu fechei o tempo com um bocado de sangue no zóio. Afim de partir pra cima do filhodaputa. O pior é que as ruas estão cheias dessas figuras. E é através desses sujeitos que a prefeitura se embasa num slogan fascista como “CIDADE LIMPA”. Tô ficando cada dia mais chateado com essa merda.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 12h49
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