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É melhor acordar e encontrar meus chapas de purgatório do que sorrir pro espelho

 

 

 

Uma escola de delinqüentes. Era isso, lá você aprendia a dar um soco certeiro na boca do estômago do inimigo. Não havia mais nada a fazer, ninguém estava pensando em felicidade do tipo que fisgue criancinhas através de uma vagabunda que imita apresentadoras de programas infantis. Eu, fora alguns bons desenhos, sempre abominei as apresentadoras de programas infantis. Existiam alguns terríveis na minha infância, como o Balão Mágico, lá a Simoni ainda não era uma chupadora de bucetas. Era apenas uma criança irritante, provavelmente entretendo um batalhão de futuros idiotas. Tinha outro ainda pior, era um que a Xuxa apresentava logo na inauguração da TV Manchete, eu lembro que pouco tempo antes ela havia aparecido pelada numa revista masculina. Um brodinho tinha a revista, nós vimos nos fundos da casa dele, mas pra mim aquele corpo insosso não era suficiente. Mais tarde a Simoni voltou, ela devia ter uns quatorze anos, eu também. Ela já se revelava uma vagabundinha de primeira, se exibia com um mini shorts, continuava ainda mais irritante, mas pelo menos me rendia boas punhetas. A única coisa que valia no entretenimento infanto era o Bambalalão, só por causa do Chiquinho Brandão, aquele cara sabia entreter as crianças, pelo menos as do meu naipe. Mais tarde eu fiquei sabendo que o cara era o dono da noite do Rio de Janeiro e que era muito parecido com meus maiores chapas, a coisa fazia sentido. Eu provavelmente nunca vou ter filhos porque certamente eles vão acabar nas mãos de uma piranhuda analfabeta que vai lhes ensinar a pular e bater palminha diante de um showzinho num palco infeliz de uma escolinha idiota qualquer. É isso que eles querem, a felicidade a qualquer custo, a interatividade forçada. Um bem estar que não existe. E eu vou arrebentar a cara de todos, meu garoto ou minha garotinha vai se envergonhar de mim, vão me chamar de chucro. É isso, prefiro acordar mal humorado e escutar Leonard Cohen e Van Morrison enquanto leio Dashiell Hammett. Eu não gosto, eu nunca gostei do que todo mundo gosta. Aliás, eu nunca gostei muito das pessoas de um modo geral.



Escrito por Ricardo Carlaccio às 11h35
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